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Higienização em idosos

O banho tem muitos objetivos, entre eles: limpar a pele; remover as bactérias; eliminar e prevenir odores corporais; estimular a circulação e a movimentação articular; prevenir úlceras de pressão; promover conforto e sensação de bem-estar1.

A pele é um órgão que secreta gordura e água na forma de suor juntamente com substâncias orgânicas e, se essas substâncias não forem removidas da pele no banho, elas provocarão odor desagradável e lesões cutâneas.

Dentre as alterações fisiológicas do tecido tegumentar que estão presentes no idoso destacam-se maior fragilidade cutânea e menor capacidade da pele de atuar como barreira contra fatores externos; termorregulação deficiente em resposta ao calor, decorrente da diminuição do número de glândulas sudoríparas; pele mais seca e rugosa por causa do menor número de glândulas sebáceas, resultando em pequena produção de óleo; menor estímulo sensitivo; diminuição da elasticidade, flacidez, alteração da resposta imunológica celular2 e diminuição da espessura da derme e da epiderme3.

Em relação aos idosos, a frequência do banho vai depender de suas necessidades. Em algumas circunstâncias, ele pode ser dado apenas, por exemplo, duas vezes por semana. É o caso das pessoas idosas com importante ressecamento de pele, das muito enfraquecidas ou das que, por problemas de saúde, cansam-se muito facilmente. Isso não significa que seja desnecessário manter os outros cuidados com a higiene pessoal; na verdade, alguns deles devem ser reforçados1.

Algumas pessoas idosas, doentes ou com incapacidades podem, às vezes, se recusar a tomar banho. É preciso que o cuidador do idoso identifique as causas destas ações.
Acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer, depressão, patologias relacionadas à coluna vertebral e ao sistema esquelético e patologias da visão são as doenças mais relacionadas à perda de autonomia e independência do idoso.

A perda de massa óssea e muscular aumenta a sensação de cansaço e também atua como fator redutor da motivação do idoso para a manutenção das condições de higiene e auto cuidado.
Pode ser que o idoso se recuse a higienizar-se por ter dificuldade para locomover-se ou ter medo de cair. Outras causas podem levar a resistência na higienização, dentre eles o idoso pode estar deprimido, sentir dores, sentir tonturas ou mesmo sentir-se envergonhado de expor-se ao cuidador de idosos, especialmente se o cuidador for do sexo oposto.

É preciso que o cuidador de idosos profissional seja um profissional de enfermagem (auxiliar ou técnico de enfermagem) e seja treinado e supervisionado por um enfermeiro experiente e tenha muita sensibilidade para lidar com essas questões.

A necessidade de conhecimento técnico científico aprofundado é fundamental para que o cuidador de idoso execute todas as funções que são necessárias ao pleno cuidado biológico, social e psicológico que o idoso necessita.

Como condição de boa higiene, o cuidador de idoso deve sempre atentar-se a limpeza dos cabelos e do couro cabeludo, na limpeza de todo o corpo e na higiene íntima. A cavidade oral e a limpeza das gengivas, próteses e dos dentes também é fundamental.

Os idosos constituem o maior grupo de consumidores de medicamentos per capita em todo o mundo. Os medicamentos mais consumidos pelos pacientes geriátricos são os cardiovasculares, analgésicos, sedativos e tranqüilizantes, sendo que a maioria dessas drogas são associadas a efeitos de inibição do fluxo salivar (xerostomia), aumentando a susceptibilidade à cárie dentária2.

Em pesquisa com 107 idosos institucionalizados, Silva ET AL demonstrou que 28% apresentavam gengivite, 22% apresentavam periodontite e 41% estavam com algum tipo de candidíase.

A higiene oral contempla a higienização completa da língua, bochechas, dos dentes e/ou próteses dos idosos após as refeições e antes de dormir.

Um bochecho com água limpa antecede à escovação para se retirar restos de alimentos presentes na cavidade oral. A escovação deve ser delicada para evitar lesões nas gengivas. Ao término da limpeza dos dentes ou das próteses, deve ser efetuada a limpeza da língua e das bochechas através da escovação. Na última sessão da higiene oral, faz-se necessário o uso de anticépticos bucais.

Diversos são os problemas ocasionados aos maus hábitos de higiene sendo um dos principais, nos idosos, a dermatite da área das fraldas que atinge a região composta por períneo, região glútea, abdômen inferior e coxas.

Associa-se às dermatites o risco de ulcerações por decúbito e infecções urinárias em pacientes que faz uso constante de fraldas e apresentam déficits motores acentuados.

O banho deve ser um momento de relaxamento e de prazer para o idoso. O banho deve ser efetuado diariamente, nos horários mais quentes do dia, e a higiene íntima deve efetuada sempre que necessário, sendo recomendável, como protocolo de cuidados, a verificação das condições da fralda a cada 2 horas.

O momento do banho é um excelente momento para o cuidador de idoso efetuar a avaliação das condições cutâneas do idoso bem como as condições das unhas, pelos e cabelo, condições de força e autonomia funcional. Quaisquer alterações deverão ser comunicadas ao enfermeiro supervisor para que providências sejam tomadas.

Durante o banho, o cuidador do idoso deve estimular a pessoa idosa a realizar o que conseguir fazer, pois os princípios de autonomia e independência têm de ser sempre preservados1.

Se o idoso apresentar déficit de marcha ou fraqueza em membros inferiores (MMII) deverá ser posicionado no banheiro uma cadeira higiênica e suportes adaptados de parede para evitar quedas ou síncopes.

Ao longo do banho, o cuidador de idoso deve providenciar que a água não esteja muito quente nem muito fria, bem como o ambiente deve estar livre de correntes de vento para evitar complicações cutâneas e térmicas ao idoso.

Se o banho for de leito, o cuidador de idoso deve atentar-se para despir somente a parte que está sendo lavada para garantir a privacidade do idoso bem como para manter a temperatura corporal constante.

Devido à redução do turgor, da elasticidade e da resistência da pele, ao secar o idoso, o cuidador de idoso deve apenas apertar a toalha sobre o corpo do idoso evitando esfregá-la na pele causando assim micro lesões cutâneas.

Atenção especial deve ser dada as áreas de dobras tais como virilha, axilas, mamas e a região entre os dedos.

Ainda com a pele úmida, deve ser utilizado cremes ou loções hidratantes em todo o corpo do idoso. Qualquer produto que diminua a umidade da pele (os que contêm álcool) deve ser evitado. Talcos e maisena não são recomendados, o primeiro porque absorve o óleo da pele e pode ser inalado e o segundo porque forma um "meio de cultura", facilitando a ocorrência de infecções cutâneas1.

Se o paciente faz uso constante de fraldas, pode-se utilizar um secador de cabelos como uma eficiente técnica de secagem da região inguinal e perineal. Após a secagem, recomenda-se o uso de pomadas protetoras de dermatite na região inguinal e perineal.

Preferencialmente o idoso deve ser vestido ainda no banheiro, livre de corrente de vento e de alterações térmicas, mas se isto não for possível, o idoso deve estar totalmente coberto por roupão ou toalhas e ser encaminhado ao quarto para ser trocado. Deve-se expor somente a área corporal que for ser manuseada para evitar choques térmicos.

As unhas devem ser cortadas semanalmente e os cortes do cabelo e da barba devem ser feitos periodicamente.

As unhas devem ser deixadas de molho em água aquecida com bicarbonato ou com sabão por 10 minutos, pois com o envelhecimento as unhas tornam-se espessas, endurecidas e quebradiças. Este procedimento facilitará o corte, em linha reta não muito rente, evitando o aparecimento de unhas encravadas ou feridas6.

Referências Bibliográficas

1. Governo do Estado de São Paulo: Manual dos Cuidadores de Pessoas Idosas. Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social. Fundação Padre Anchieta,

2. Corgel JA. Periodontal treatment of geriatric patients. In: Carranza 4. J, Newman MG. Clinical Periodontology. 8. ed. Philadelphia: Saunders; 1996. p. 423-6.

3. SILVA, S.O. et al. Saúde bucal do idoso institucionalizado em dois asilos de Passo Fundo – RS RGO, Porto Alegre, v. 56, n.3, p. 303-308, jul./set. 2008

4. Nettina SM. Prática de enfermagem. 7a. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2003.

5. 5-Oriá RB, Brito GAC, Ferreira FVA, Santana EM, Fernandes MR. Estudo das alterações relacionadas com a idade na pele humana, utilizando métodos de histomorfometria e autofluorescência. An Bras Dermatol. 2003; 78(4):425-34.

6. IAMSPE: Manual para cuidadores de idosos. Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual - Governo do Estado de São Paulo, Outubro de 2012.