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Fisiologia do envelhecimento

O conhecimento da fisiologia básica do envelhecimento facilita no processo de cuidar efetuado pelo cuidador de idosos ou pela equipe de enfermagem residencial.

O envelhecimento biológico é um fenômeno multifatorial que está associado a profundas mudanças na atividade das células, tecidos e órgãos, como também com a redução da eficácia de um conjunto de processos fisiológicos1.

Do ponto de vista funcional, o envelhecimento caracteriza-se, entre outros aspectos, pela perda de massa muscular, debilidade do sistema muscular, redução da flexibilidade, da força, da resistência e da mobilidade articular, fatores que, por decorrência, determinam limitação da capacidade de coordenação e de controle do equilíbrio corporal estático e dinâmico do idoso2.

Verificam-se também nos idosos modificações na composição corporal, diminuição na quantidade de peso, na altura, na densidade mineral óssea, nas necessidades energéticas e no metabolismo, devido à vida sedentária e à diminuição da massa muscular3.

O ganho no peso corporal, o acúmulo da gordura corporal e a perda de massa óssea e muscular parecem resultar de um padrão programado geneticamente, de mudanças na dieta e no nível de atividade física, relacionados com a idade ou a uma interação entre esses fatores4.

Dentre as alterações antropométricas, o aumento da gordura, nas primeiras décadas do envelhecimento e a perda de gordura, nas décadas mais tardias da vida parecem ser o padrão mais provável de comportamento da adiposidade corporal com o processo de envelhecimento.

Apesar da dificuldade em medir adequadamente a massa muscular, em seres humanos, estimativas usando a excreção urinária de creatinina indicam perdas dramáticas de massa muscular de quase 50%, entre os 20 e 90 anos5. Associado a perda de massa muscular, há a redução da a taxa metabólica de repouso numa taxa aproximada 1% por ano a partir dos 40
anos.

Com relação ao sistema esquelético, no envelhecimento ocorre a perda de massa óssea a uma taxa de 0,3% ao ano no homem por volta dos 50-60 anos, e na mulher mais precocemente a uma taxa de 1% ao ano dos 45 aos 75 anos5. Com o envelhecimento existe uma diminuição da estatura, com o passar dos anos, por causa da compressão vertebral, o estreitamento dos discos e a cifose6.

Ocorre o aumento da massa cardíaca da ordem de 1 a 1,5g/ano, entre 30 e 90 anos de idade. As paredes do ventrículo esquerdo (VE) aumentam levemente de espessura, bem como o septo interventricular, mesmo em ausência de DCV, mantendo, no entanto, índices ecocardiográficos normais. Essas alterações estão relacionadas com a maior rigidez da aorta, determinando aumento na impedância ao esvaziamento do VE, com conseqüente aumento da pós-carga.

A infiltração colágena do miocárdio aumenta a rigidez do coração7.

As artérias sofrem alterações na elasticidade, distensibilidade e dilatação. O esvaziamento ventricular dentro da aorta menos complacente favorece o aumento da pressão arterial sistólica, enquanto o aumento da resistência arterial periférica determina incremento progressivo da pressão arterial média7.

Devido a todos estes fatores, muitos idosos apresentam dificuldades em atividades de vida diária, tais como vestir-se, usar o banheiro, alimentar-se, locomover-se e banhar-se não porque são ou estão doentes, mas sim por apresentarem redução da massa e da força muscular.

A maioria dessas perdas funcionais se acentua com a idade devido à insuficiente atividade do sistema neuromuscular, ao desuso e à diminuição do condicionamento físico, determinando complicações e condições debilitantes, inanição, desnutrição, ansiedade, depressão, insônia etc. que, por sua vez, conduzem à imobilidade, desuso, debilidade muscular e enfermidade, estabelecendo-se um círculo vicioso clássico em geriatria1.

De acordo com KURODA e ISRAELL, a maioria dos efeitos do envelhecimento, acontece por imobilidade e má adaptação e não por causa de doenças crônicas

Na maioria dos casos, a família induz ao sedentarismo em idosos se prontificando a fazer pelo idoso o que ele sempre fez. Podemos citar como exemplo, o familiar que busca um copo de água para o idoso, enquanto este permanece sentado no sofá.

Cada vez mais se pesquisam formas de deter ou retardar o processo do envelhecimento ou estratégias que garantam uma manutenção da capacidade funcional e da autonomia, nas últimas décadas da vida. Nesses estudos, a atuação do cuidador de idosos é imprescindível.

Grande parte das evidências epidemiológicas, sustentam um efeito positivo de um estilo de vida ativo e/ou do envolvimento dos indivíduos em programas de atividade física e exercício na prevenção e minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento9.

Não se pode pensar hoje em dia, em "prevenir" ou minimizar os efeitos do envelhecimento sem que, além das ações clinicas e laboratoriais de saúde, inclua-se no cotidiano do idoso a atividade física5.

A prática regular de exercícios físicos é uma estratégia preventiva primária, atrativa e eficaz, para manter e melhorar o estado de saúde física e psíquica em idosos, tendo efeitos benéficos diretos e indiretos para prevenir e retardar as perdas funcionais do envelhecimento, reduzindo o risco de enfermidades e transtornos freqüentes na terceira idade tais como as coronariopatias, a hipertensão, a diabetes, a osteoporose, a desnutrição, a ansiedade, a depressão e a insônia10, 3, 11.

A recuperação da força muscular em idosos, estudos têm demonstrado que ela pode ser conseguida por meio de programas de exercícios físicos, de força e resistência, de alta ou baixa intensidade, inclusive em nonagenários12, 13.

Desta forma, cabe ao cuidador de idosos, seja ele profissional ou familiar, o incentivo a manutenção de um estilo de vida ativo para o idoso.

Saiba mais nos nossos artigos voltados para a saúde do idoso.

REFERÊNCIAS

1. Rebelatto JR, Calvo JI, Orejuela JR, Portillo JC. Rev. bras. fisioter. Vol. 10, No. 1 (2006), 127-132

2. Duthie EH, Katz PR. Practice of Geriatrics. Philadelphia:Saunders Co; 1998. Fiatarone MA, O'neill EF, Ryan ND, Clements KM, Solares GR, Nelson ME, et al. Exercise training and nutritional supplementation for physical frailty in very elderly people. N Engl J Med 1994; 330:1769-75.

3. De Jong N, A Paw MJMC, De Groot LCPG ML, De Graaf C, Kok F J, Van Staveren WA. Functional biochemical and nutrient indices in frail erderly people are partly affected by dietary supplements but not by exercise. J Nutr 1999; 129: 2028-36.

4. SPIRDUSO,W. Physical Dimensions of Aging. 1st ed. Champaign: Human Kinetics, 1995.

5. Matsudo, S.M., Matsudo, V.K.R. e Barros Neto, T.L., Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 8 (4): 21-32, 2000.

6. FIATARONE-SINGH MA. Body composition and weight control in older adults. In: Lamb DR, Murray R (eds). Perspectives in exercise science and sports medicine: exercise, nutrition and weight control. Carmel: Cooper; 1998a. p. 243-288. v.11

7. Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte – SBME: Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: Atividade Física e Saúde no Idoso. Rev Bras Med Esporte Vol. 5, Nº 6 – Nov/Dez, 1999
8. KURODA Y, ISRAELL S. Sport and physica1 activities in older people. In: Dirix A, et al. (eds). The olympic book of sports medicine. 1 st ed. Oxford: Blackwell Scientific Publications; 1988. p. 331-355.

9. AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Position stand on the recommended quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory and muscular fitness, and flexibility in adults. Med.Sci.Sports. Exerc. 1998b; 30:975-991.

10. Lewis RD, Modlesdy CM. Nutrition, physical activity, and bone health in women. Int J Sport Nutr 1998; 8: 250-84.

11. Polidori MC, Mecocci P, Cherubini A. Physical activity and oxidation stress during aging. Int J Sports Med 2000; 21:154-57.

12. Charette SL, Mcevoy L, Pyka AG, Snow-Harter C, Guido D, Wiswell A, et al. Muscle hypertrophy response to resistance training in older women. J Appl Physiol 1991; 70: 1912-16.

13. Fiatarone MA, O'neill EF, Ryan ND, Clements KM, Solares GR, Nelson ME, et al. Exercise training and nutritional supplementation for physical frailty in very elderly people. N Engl J Med 1994; 330:1769-75.